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Edleise Mendes Universidade Federal da Bahia

Prof. Dra. Edleise Mendes,

Universidade Federal da Bahia

Observatório de Português Língua Estrangeira

Segunda Língua (ObsPLE-PL2)

POR QUE PRECISAMOS DE MATERIAIS E RECURSOS DIDÁTICOS?

PERSPECTIVAS PARA O ENSINO E A FORMAÇÃO EM PLE/PFOL

 

Neste diálogo, incitarei a reflexão de professores(as), pesquisadores(as), gestores(as) e interessados na área de português para falantes de outras línguas (PLE/PFOL) sobre a relevância e os impactos pedagógicos dos materiais e recursos didáticos que utilizamos em nossas práticas cotidianas de ensinar e aprender língua. Entre outros tópicos, discutirei os aspectos políticos, teóricos e metodológicos que orientam esses recursos, trazendo exemplos relacionados a variados contextos de ensino de PLE/PFOL. A partir desse cenário, apontarei perspectivas para a seleção, a avaliação e a produção de materiais, de modo a subsidiar o trabalho de professores(as) e alunos(as) no desenvolvimento de práticas de ensino que atendam às demandas, desafios e complexidades do nosso tempo, e de sociedades cada vez mais multilíngues e multiculturais.

Evento gratuito

Ana Boléo  Instituto Politécnico de Setúbal

Profa. Dra. Ana Boléo

Instituto Politécnico de Setúbal

Instituto Sup. de Educação e Ciências de Lisboa

 

O professor transformativo na aula de PFOL

O ensino de línguas estrangeiras tem-se pautado pelo equilíbrio entre o exercício das várias competências e pela gestão da avaliação das mesmas. Embora muitos professores estejam conscientes do impacto que a aprendizagem de uma língua estrangeira tem no indivíduo, os materiais didáticos no mercado ainda assumem um caráter mais tradicional, que não se compadece com o aproveitamento da aula para a criação de um ambiente de auto e hétero-reflexão.

Neste diálogo, pretende-se explorar o currículo oculto que subjaz aos conhecimentos académicos de um professor, ou seja, a responsabilidade que o docente tem de se apresentar não só como referência linguística, mas também como modelo de cidadania. Num mundo cada vez mais globalizado, os espaços escolares e universitários serão arquétipos da sociedade, motivo pelo qual devemos equacionar que o desenvolvimento da competência comunicativa intercultural pode ser potenciador de cidadãos mais tolerantes, responsáveis e ativos.

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Profa. Dra. Deise Cristina de Lima Picanço

Universidade Federal do Paraná

 

Análise e produção de materiais didáticos em uma perspetiva crítica enunciativa

A proposta de diálogo se assenta na necessidade, que existe em todas as áreas de trabalho, de avaliação e produção de materiais instrucionais ou didáticos a abordar, desde a introdução de novos temas, problemas ou formas de atuação até sua resolução. Propomos uma reflexão a partir das inquietações dos novos estudos de letramentos numa perspectiva crítica e enunciativa a partir de M. Bahtin. Partimos de um olhar para a realidade multicultural em que vivemos e para a presença cada vez mais intensa dos modos de interação digitais e multimodais. A perspectiva crítica e social se opõe às perspectivas autônomas dos letramentos que se dedicam a trabalhar exclusivamente as habilidades cognitivas. Para isso, propomos apresentar e discutir com os participantes uma proposta de análise de materiais didáticos, a fim de desenvolver a agência crítica dos aprendizes nas três dimensões da vida: trabalho, cidadania e comunidade.

José Antonio Castellanos-Pazos, Columbia University
Dra. Ana Paula Huback, Columbia University
Ricardo Antônio Moreira, Columbia University

Profa. Dra. Ana Paula Huback, Columbia University

Prof. Me. José Antonio Castellanos-Pazos, Columbia University

Prof. Ricardo Antônio Moreira, Columbia University

 

A Variação Linguística e o Ensino de Português como Língua Estrangeira:

Refletindo sobre Materiais Didáticos

Nesta apresentação, discute-se uma integração entre aspectos da variação linguística do português brasileiro (PB) e sua aplicação ao ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE). Procedemos a uma análise de livros didáticos de PLE e observamos que esses materiais, frequentemente, se baseiam na gramática normativa, que preconiza o português padrão, variedade esta que não reflete a língua real falada e escrita no Brasil. O PB, com sua diversidade linguística oriunda de culturas-base diversas, além de fatores sociolinguísticos, não possui uma norma culta única (Neves 2003, Castilho 2010). O que temos é uma forma multiforme plural, moldada de acordo com os fatores supracitados, além de outros, relacionados de maneira intrínseca aos elementos inerentes à situação de comunicação em que os falantes se encontram. O uso da língua por indivíduos em interações sociocomunicativas reais apresenta essas especificidades que são, frequentemente, negligenciadas no ensino de PLE.

Abordamos, também, aspectos teóricos relacionados à Sociolinguística Educacional (Faraco e Zilles, 2017) e discutimos casos do PB que estão em variação linguística no momento presente (nos domínios semântico, pragmático, fonético, morfológico e sintático) e que, portanto, poderiam ser incorporados ao ensino de PLE, na perspectiva do estudo da norma linguística. Outrossim, discutimos parâmetros relevantes para a produção de materiais didáticos que possam facilitar o ensino-aprendizagem de PLE, já que todos aqueles que se dedicam a atividades discentes se deparam, cotidianamente, com esse desafio da carência de recursos na aquisição de aspectos linguísticos específicos do PB. 

Em linhas gerais, esta palestra é um convite dialógico à reflexão sobre a forma como os materiais de PLE são organizados e o que podemos fazer para que o ensino de PLE reflita de forma mais fidedigna e coerente a variedade linguística usada por brasileiros em situações concretas de comunicação.

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Prof. Fabricio Müller

Editorial Casa do Brasil

Universidad Nacional de Tres de Febrero - UNTREF

Editores independentes e a produção de materiais didáticos para o ensino de PLE/PFOL: impactos nas políticas linguísticas do português

 

Este trabalho tem como principal objetivo ressaltar a importância política e educacional dos editores independentes na produção e edição de materiais didáticos para o ensino-aprendizagem do português como língua estrangeira (PLE). Consideramos a definição de editor no sentido amplo, não apenas como articulador e facilitador da criação e comercialização de materiais didáticos, literatura, entre outras publicações, mas como agente cultural e divulgador do pensamento, da língua e cultura brasileira, sendo, portanto, um ator fundamental no intercâmbio e nas relações entre o Brasil e os países onde o PLE/PFOL é ministrado. Para cumprir este objetivo, apresentaremos um levantamento dos materiais publicados e comercializados na região metropolitana de Buenos Aires, AMBA, durante o período 2010-2021. Essas publicações são desenvolvidas por editores independentes, gestores, bem como professores, que estão ativamente envolvidos no campo cultural e desempenham um papel essencial na promoção do ensino do PLE como língua regional e para a integração dos povos, apostando na bibliodiversidade e na valorização dos seus contextos locais de atuação. Finalmente, compartilharemos a experiência da Editora Casa do Brasil, em Buenos Aires, Argentina, como agente de política linguística através da publicação de materiais e manuais para ensino do português, variedade brasileira, como exemplo de discussão para a proposição de políticas linguísticas e seus impactos na área de PLE/PFOL.

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Prof. Dr. Rogério Casanovas Tilio

Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Materiais didáticos para uma educação linguística crítica: análise, adaptação e produção

O livro didático é um dos elementos mais presentes no ensino, especialmente no de línguas adicionais. Justamente por ser tão presente e naturalizado, muitos professores não se dão conta da sua força e acabam tomando-o como o currículo. Embora, de certa forma, incorporem um currículo, livros e outros materiais didáticos devem ser pensados como elementos articuladores das práticas pedagógicas de um (outro) currículo, e não tomados como o currículo em si. Materiais didáticos, portanto, quando não produzidos pelo docente para seu contexto específico, precisam ser analisados e adaptados de forma a atender às suas necessidades curriculares. Partindo do entretenimento de uma proposta curricular de educação linguística crítica de línguas adicionais, este trabalho faz uma breve reflexão sobre a própria noção de currículo e apresenta uma proposta para a análise, adaptação e produção de livros e materiais didáticos para uma educação linguística crítica fundamentada em teorias sociointeracionais e de letramentos. 

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Prof. Dr. Eric Júnior Costa

Universidade Aberta de Portugal

Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

 

Percursos migratórios de apátridas no Brasil:

o papel do desenvolvimento linguístico na obtenção da nacionalidade brasileira

 

A pesquisa proposta, fruto de uma tese defendida em 2022, tem como pilares os Estudos de Linguagens e os Estudos Migratórios, com foco no contexto do Português como Língua de Acolhimento (PLAc), uma modalidade de ensino e aprendizagem de língua não materna destinada a migrantes forçados, ou em contexto de migração de crise. Meu objetivo é analisar as vivências de duas ex-apátridas no Brasil durante seus percursos migratórios, em especial sobre como as experiências de aprendizagem de português influenciaram na integração dessas migrantes no país. Para tanto, orientei-me pela pergunta: durante as vivências no percurso migratório, o que as narrativas das participantes sobre experiências de aprendizagem de português evidenciam sobre o desenvolvimento linguístico, favorecendo interação social e integração no Brasil? Para respondê-la, recorri às teorias sobre a apatridia, sobre o histórico do PLAc no Brasil e de percursos migratórios, em especial aos pertencentes à linha do tempo das migrações sírias e libanesas para o país. Além disso, apoiei-me na Sociologia da Migração, nas políticas linguísticas que envolvem o PLAc, como o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras). O corpus é composto de narrativas midiáticas das ex-apátridas, notas de campo e documentações migratórias brasileiras oficiais. Com foco no método cronológico dos acontecimentos foram realizadas as categorizações das experiências de aprendizagem de português, de acordo com as duas fases do percurso migratório executado pelas ex-apátridas: a Fase Pré-Migratória e a Fase Migratória in loco. O aparato metodológico utilizado para análise das narrativas foi constituído pela ferramenta proposta por Miccolli, Bambirra e Vianini (2020) sobre as experiências de aprendizagem de línguas. Como resultado obtido, destaco o estabelecimento de uma integração oblíqua, identificada por mudanças nos tipos de experiências de aprendizagem ao longo de seus percursos migratórios devido a imposições linguísticas de caráter circunstancial institucional na Fase Migratória in loco. Além disso, foi evidenciada a necessidade da construção de um projeto de lei que objetive elaborar e pôr em prática uma política pública com alternativas de certificação de proficiência em português para migrantes forçados, o que envolve diretamente a elaboração de materiais didáticos específicos.

Paulo Feytor Pinto  Universidade de Coimbra

Prof. Dr. Paulo Feytor Pinto

Universidade de CoimbraCELGA-ILTEC

O mapa-mundo da geografia da língua portuguesa

Um material didático muito frequente nas aulas de português para falantes de outras línguas é o mapa-mundo assinalando a distribuição geográfica e o número de falantes de português a nível planetário. Nesta intervenção será analisado um mapa-mundo publicado no blogue do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em 2018, e que parece ser paradigmático dos trabalhos do género publicados em manuais, enciclopédias, materiais de divulgação ou sítios na internet, independentemente da sua origem nacional.

O mapa analisado assinala os nove países que têm o português como língua oficial, com a respetiva bandeira nacional, e ainda a região chinesa de Macau onde o português será língua cooficial até 2049. Para cada território, é apresentada a respetiva população, sem referência explícita à quantidade de falantes de Português L1 ou L2, como se toda a população de todos os países de língua oficial portuguesa fosse constituída por lusófonos – se em Portugal ou no Brasil mais de 90% da população tem o português como língua materna, em Macau é residual o número de falantes de português e na Guiné Equatorial ele é inexistente.

Além de não serem estabelecidas as diferenças sociolinguísticas entre os dez territórios, são também ignorados todos os outros países do mundo em que, apesar de o português não ser língua oficial, é falado como língua materna por partes mais ou menos significativas da população – 25% da população da Guiana Francesa ou 16% da população luxemburguesa. No final, será apresentada uma proposta de mapa da geografia da língua que dê melhor conta da complexidade e diversidade de contextos em que o português é falado.

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Prof. Dr. Valdir Heitor Barzotto

Faculdade de Educação, Univ. de São Paulo

Da formação do Professor de Língua Portuguesa à produção de materiais didáticos: compromissos da Universidade

 

Em nossa participação, pretendemos contribuir para a reflexão a respeito da formação do professor de língua portuguesa, considerando o tempo e a estrutura disponibilizada. Entendemos que o modo como os especialistas e instituições entendem a própria profissão do futuro professor, contribui para o tipo de relação que estes terão com o livro didático ou com a possibilidade de produzi-los.  A partir da experiência e da reflexão constante sobre os resultados das práticas de estágio de alunos matriculados na disciplina de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, bem como de atividades de ensino de português para alunos estrangeiros em intercâmbio na USP, vamos apresentar alguns aspectos do que entendemos por formação de professor de português e de elaboração de material didático.

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